O director-geral do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA) disse hoje que há ainda trabalho a fazer para produzir e exportar café de qualidade, abandonando práticas negativas, como a colheita do café ainda verde. Ou seja, 50 anos depois da independência, o MPLA (no Poder desde então) quer fazer como faziam os portugueses…
Vasco Gonçalves disse que Angola está a produzir café, mas é preciso garantir qualidade, enfatizando que estão em acção várias medidas para colocar este produto nos mercados internacionais com a qualidade que se requer.
“Nisto nós temos muito trabalho a fazer”, disse Vasco Gonçalves à imprensa, à margem de um ‘workshop’ sobre o “Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desflorestação e o Sector Cafeeiro Angolano”, que hoje se realizou em Luanda.
Segundo o director-geral do INCA, o café angolano “ainda não está a ser exportado com a maior qualidade possível”. “Num universo de sete níveis de categorias, estamos na segunda, ainda temos quatro níveis a percorrer, mas isso é um trabalho que temos de fazer”, frisou.
Vasco Gonçalves disse que este esforço de melhoria tem estado a ser feito com os operadores, exportadores, comerciantes, “no sentido de se deixar aquelas práticas de estender o café no chão, colher o café verde, ensacar o café com produtos que possam contaminá-lo”, entre outras situações.
De acordo com Vasco Gonçalves, o país produziu em 2024 cerca de 10.500 toneladas de café comercial, o que representa que “está muito longe ainda das capacidades e das condições climáticas do país”.
No período colonial, acrescentou o director-geral do INCA, o país tinha cerca de 600 mil hectares de plantação de café e, nesta altura, regista apenas 55 mil hectares, “muito longe” do que se produzia naquela época.
“Temos uma margem de progressão muito grande, mesmo incidindo apenas nas áreas antigas do café”, sem necessidade de desmatação, sustentou Vasco Gonçalves.
Angola produz café arábica nas províncias de Benguela, Huíla, Bié, Huambo e uma parte de Malanje e do Cuanza Sul, enquanto o café robusta é cultivado nas regiões do Uíje, Cuanza Sul, Cuanza Norte, Bengo e uma parte de Malanje, havendo já expansão da produção para zonas do leste do país.
Em 2024, Angola exportou 3.288 toneladas de café comercial, essencialmente para Portugal, e também para a Polónia e a Itália, arrecadando com a comercialização 12 milhões de dólares (10,2 milhões de euros).
Relativamente ao Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desflorestação, Vasco Gonçalves frisou que a responsabilidade de cumprimento desta norma é dos importadores, cabendo ao país garantir uma produção com boas práticas agrícolas.
Por sua vez, o secretário de Estado para as Florestas angolano, João da Cunha, disse, na abertura do ‘workshop’, que o país se tem preparado e recentemente aprovou alguns instrumentos jurídicos, como o Regulamento das Boas Práticas Agrícolas, para ajudar Angola a produzir conforme as exigências dos consumidores internacionais.
O governante angolano salientou que o país se encontra num processo de recuperação da produção, o que inclui o aumento da área plantada, recorrendo a áreas históricas de cultivo, e “o processo de regularização da sombra não deve ser considerado como desflorestação”.
O Regulamento da União Europeia proíbe a colocação no mercado europeu de produtos originais de áreas desflorestadas, a partir de 2020.
“Na verdade, para o caso específico de Angola, o café actua como preservador da biodiversidade da floresta, crescendo num modelo agroflorestal, que pretendemos promover”, vincou João da Cunha.
Enquanto província ultramarina de Portugal, até 1974, Angola era auto-suficiente, face à diversificação da economia. Os angolanos que dirigem o país têm medo de aprender com quem sabe mais e fez melhor, muito melhor. Mas só assim poderemos ensinar a quem sabe menos (não se aplica aos dirigentes do MPLA que sabem… tudo)..
Angola era o segundo produtor mundial de café Arábico; primeiro produtor mundial de bananas, através da província de Benguela, nos municípios da Ganda, Cubal, Cavaco e Tchongoroy. Só nesta região produzia-se tanta banana que alimentou, designadamente a Bélgica, Espanha e a Metrópole (Portugal) para além das colónias da época Cabo-Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Era igualmente o primeiro produtor africano de arroz através das regiões do (Luso) Moxico, Cacolo Manaquimbundo na Lunda Sul, Kanzar no Nordeste Lunda Norte e Bié.
Ainda no Leste, nas localidades de Luaco, Malude e Kossa, a “Diamang” (Companhia de Diamantes de Angola) tinha mais 80 mil cabeças de gado, desde bovino, suíno, lanígero e caprino, com uma abundante produção de ovos, leite, queijo e manteiga.
Na região da Baixa de Cassangue, havia a maior zona de produção de algodão, com a fábrica da Cotonang, que transformava o algodão, para além de produzir, óleo de soja, sabão e bagaço.
Na região de Moçâmedes, nas localidades do Tombwa, Lucira e Bentiaba, havia grandes extensões de salga de peixe onde se produzia, também enormes quantidades de “farinha de peixe”, exportada para a China e o Japão.
Na época colonial, estes municípios eram capazes de produzir 1.600 toneladas de café comercial, cultivadas numa extensão de cinco mil hectares. Desde então, sob a égide sempre do mesmo partido, o MPLA, e ao fim de 50 anos de governação ainda continuamos a não fazer o que os colonos portugueses faziam antes da independência.


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